
Bem que ele tentou... Aos 17 anos, Rafa de Martins tinha que escolher o que ia fazer da vida. Como seus pais, ele foi fazer Direito. Tentou gastar toda a sua energia com leis, processos e fóruns. Mas não teve jeito.
Sua criatividade, carisma e versatilidade fizeram sua veia artística vir à tona. Desde 2000, além de ator, Rafa é dançarino, cantor, músico e compositor, atuando no Brasil, na Europa e nos EUA. Entre seus trabalhos na TV, interpretou “Max do Cavaco”, amigo do personagem principal, Leal, do ator Antônio Fagundes. Como o próprio nome diz, Max tocava Cavaco e mostrava o talento musical do artista. O sucesso foi tão grande que ele criou seu próprio grupo “Batuca-ramba”, de samba de raiz, samba rock e samba funk.Seus dons são tão variados que chegou a ser atleta da seleção brasileira de ginástica geral na 12ª World Gymnaestrada, em
Lisboa, Portugal, fazendo apresentações de dança acrobática e capoeira.
No teatro, já atuou em quatorze espetáculos, como “O Ateneu”, com direção de Leonardo Brício, o musical “Geraldo Pereira, um escurinho brasileiro”, de Daniel Hertz, e “Decameron”, com Otávio Muller.
Em 2009, durante a temporada da comédia musical “Quiproquós”, dirigida por Paulo Reis, Rafa foi elogiado por Jefferson Lessa por causa de seu protagonista “Antenor”. A crítica de teatro no Segundo Caderno do Jornal O Globo dizia: “Rafa de Martins usa e abusa de caretas e gestos típicos do cinema mudo, um achado.”
É verdade que o esporte ajuda a você nessa diversidade dos seus trabalhos artísticos?
Com certeza. Já joguei basquete e futebol e sempre pratiquei artes
marciais, como jiu-jitsu, boxe e capoeira. Hoje, pratico surf. Por exemplo, na dança, eu não tenho nenhuma formação e faço muitos trabalhos com bailarinos profissionais e com renomados coreógrafos, como o Renato Vieira. O esporte me ajuda muito na minha consciência corporal e o fato de ser músico, na musicalidade. O link que faço entre os dois me faz ter mais facilidade na execução dos meus trabalhos.
No Jô Soares, você mostrou que conta de forma divertida as suas histórias e até transforma em música o que viveu...
Realmente, eu me inspiro nas situações em que vivo. Principalmente, nos meus casos amorosos. Acho que tanto a paixão como a dor são grandes fontes de inspiração. Já fiz músicas para namoradas, para mulheres que eu apenas paquerei, como a música “Filho do Outro”, que fiz para uma grávida que conheci no ônibus. Fiz também a música “Suas Lágrimas não são por mim” para uma ex-namorada, que, quando terminamos, chorou muito. Não pelo término, mas por eu ter levado o cachorro. Risos...
Em “Quiproquós”, você viveu um galanteador irreparável e agora
está em cartaz na peça “Os Catecismos segundo Carlos Zéfiro”,
interpretando o próprio Zéfiro, que era sério, durante o dia, e
pornógrafo, à noite. Como é interpretar esse tipo de personagem?
É muito divertido. Apesar dos personagens serem mulherengos, tem suas diferenças. Em “Quiproquós”, Antenor era cômico e fictício. Eu tinha a
liberdade de criar mais os trejeitos e as reações, apesar de que ele se dava mal com as mulheres. Risos... Carlos Zéfiro foi um personagem que existiu. As suas reações com as mulheres são mais críveis. Neste espetáculo, o momento mais sedutor e sensual é quando conquisto uma das minhas amantes dançando bolero, cena que eu coreografei inspirado na minha experiência para conquistar o sexo oposto nos bailes da vida. Risos...
Seu sorriso ficou marcado na campanha do uso da camisinha no Carnaval 2007, realizada pelo Ministério da Saúde. Não pensa em fazer somente comédia?
Não. Sou ator, adoro comédia, mas também adoro drama. Adoro dar vida aos personagens. Através de cada um deles, eu me conheço cada vez melhor.
|